Memórias de uma menina bem comportada

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Inválida. Eu me sinto assim hoje. Depois de um ano,  volto revoltada como sempre fui. Não me interessa se eu cheiro à peido, ou se minhas unhas não estão à francesas, e muito menos se minhas bochechas não estão rosadas! Não interessa se eu tenho cabelos crespos porque esqueci minha prancha no banheiro daquele motel horroroso. Não quero saber se voltei tarde demais para segurar seu "lance".O certo é que o tempo me esperou suficientemente para saber que a ausência vale até o momento de reaparecer, ainda que desfigurada, sem maquiagem sim. Sei da vida, mas sei de livros também. Como seu eu fosse santa. Até parece. 

Estou desfigurada sim, sem blush, sem delineador, sem baton número 5 da natura, e sem calcinha. Estou seminua. Largada pelo preço mais barato. Contra o bem. Sabe o porquê? Vi você na rua pagar mais. Vi você rasgar dinheiro por uma falsidade que te recompôe. Meu começo é seu fim viu? 

Tudo começou na porta 74. Eu em pé, à espera. Espera de muitos minutos que se seguiram. Com o celular empostado entre os peitos. E tudo terminou na porta 74 por que você sempre faz escolhas erradas. Por quê? Por que os homens preferem títulos, nomes, posições, carros, rolex, pratas palavras endiabradas? E por que as mulheres preferem cabelos lisos e louros, peitos de 500 miligramas, bolsas entupidas, medidas delineadas, calcinhas vermelhas e bucetas em forma de triângulo?

Estúpidas!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Eu sai de casa ontem disposta a encontrar a resposta para duas perguntas: 1) Onde estão as verdades masculinas além daquilo que se leva no meio das pernas? e 2) Quando as mulheres esnobes terão seus peitos de silicone furados? Eu achei as respostas, e vou escreve-las amanhã.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Estou sem paciência com as pessoas fúteis, inertes, ignóbeis, inúteis e sem criatividade. Aquelas que te convidam para tomar um café e acham que suas pernas estão disponíveis o tempo todo. Estou totalmente impaciente com estes homens com pênis de plástico e posições programadas. Às vezes me cansa ter que fazer o tipo sexy na cama, com caras, bocas e biquinhos. Me cansa gemer quando nao quero ou falar sacanagens ao pé do ouvido. Eu acho que sexo é um coisa meio mecânica sim, mas não repetitivamente invariável. Goza-se, ejacula-se, pôe, tira, limpa-se, engole, revira-se, fuma um cigarrõ. Aff!! Eu preferia sentar em cima de uma banana quente e deixar que minha criatividade complete a coisa, a ter que suportar o cheiro de perfume certo na pele errada. Prefiro deixar o chuveiro me fazer feliz, a ter quer receber tapinhas tímidos na bunda. Ai! Manda ver meu filho! Não entendo os protocolos do sexo. A burocracia paternalista do ocidentalismo destilada nas ereções masculinas, privam tanto os homens de exercerem o sexo como arte do prazer, que me sinto mal quando deito na cama com um sujeito que não consegue ejacular acima do seu umbigo. Preferia ver meu peito caído, minha barriga flácida e minha bunda muxar a ter que suportar beijos com línguas ocultas, sem saliva, sem paladar, sem bafo algum. Gosto de homens que sabem o tamanho do seu pênis e do seu cérebro,. assim saberiam melhor até onde conseguiriam aprofundar-se dentro de uma mulher.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

E eu que pensei que a pior hora do dia foi quando mandei ele raspar a barba. Sabia que isso mexeria profundamente com seu sentimento heróico e bizantino sobre a imposição masculina do ser peludo impregnado sobre rosto. Era um aspecto másculo sim, mas muito animal para aquela data, principalmente para a tarde do último dia do ano.

Não me interessava suas vontades. O homem era meu naquela hora, e eu o queria como criança lavada num tipo de inocência que estava escondida na falsa cara de macho que ele apresentava. Estávamos sozinhos em casa, lembro-me muito bem. Foi escolha minha fazê-lo assim, já que éramos novos um ao outro. Nada impedia de ser uma noite interessante, menos vulgar e doentia como as outras e um pouco mais apaixonante.

Engano é sempre conveniente à realidade que experimenta-se. Sempre pode-se sonhar mais de cinco minutos para serem destruídos em menos de dois. O ar doce que estava perpetuado naquele rosto limpo, foi arrefecido por lembranças, outrora significantes para mim e não para outrem. Depois de sentar, calada, com maquiagem insegura na face, com ouvidos apunhalados pelas palavras nada sutis, resolvi vingar-me a meu novo jeito de explorarem meu passado, que há tempos me amedronta, mas não me impede de mostrar como fui e como ainda, prisioneiramente, desejaria ser para com os homens: violenta na cama, na casa e na cara!

Me fez sutilizesas que apontavam um outro comportamento. Raspou pêlos, mas deixou sua indelicadeza com as mulheres honestas com o sexo, destruir um rastro de sentimento ideal. Era tudo esnobe à meia-noite. Nada de chocolates, nada de champanhe falsificado, nada de risinhos desgraçados. Nada dessas asneiras no meu ouvido. Espero poder desagravar todas as palavras decoradas lidas dos cartões que você recebeu dos empregados. E colocar seu invólucro de macho recalcado junto às suas penugens no lixo do banheiro. Coisa de homem achar que mulher gosta de ser chamada de vaca até o fim da transa e da vida. Uma vez ou outra, aceita-se. Mais que isso considero uma afronta aos contornos femininos. Com barba ou sem barba, um pouco de sacanagem sempre é valido para mim. E já o diga quem me conheceu. Mas achar que escada rolante de shopping não pára de dar voltas, é pura enganação meu bem! Tenha um feliz ano novo!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Me bateram na cara ontem. Eu me sinto assim, meio sufocada pelo ostracismo da vida cotidianna que tanto se parece com meus sonhos divagantes que insisto em ter todas as noites. Mas minha boca insana nao segura seus desejos e por isso falei como se tivesse diante de Hípias, arrogante, pernicioso e detentor de todo conhecimento. Sou mulher e não nego a raça. Não sou raspadinha nem uso creme para os cotovelos, mas meu cabelo pintado e minhas unhas vermelhas sabem que meu instinto é maior do que 23 cm, tamanho que muita gente gostaria de ter entre as mãos e em outros lugares mais. Atrevi-me a jogar na sua cara meus vitupérios, meus escárnios e minhas agruras, que antes havia deixado sobre os lençóis usados e umedecidos pelo meu suor. Bati-lhe nas costas, arranhei sua perna e mordi com força sua orelha. Me jogou na parede e bati com o calcanhar. Sorte não ter quebrado nenhum dos ossos. Mas ontem foi o dia de colocar diante da minha vida meu sentimentos outrara inimagináveis pelas figuras masculinas. Soltei rajadas de ira com a força do meu ventre e da minha vontade de estrangular os ideiais sócio-marjoritários que detestam e trazem vergonha à sociedade pseudo-comtemporânea.

Não me importa. Quebrei a cara, o vaso da minha ex-sogra e errei o alvo. Não importa mais uma vez. Deixei me sumcubir pelo menos aquela vez, ainda que não tenho dado em nada, mas mesmo assim, insisti em despir-me da minha carapuça impermeável pelo delineamento do meu batom vermelho de liquidação nas Lojas Americanas. Sorte dele que agora não me tem mais como antes. Entrou na minha promoção e não precisou pagar mais. Nem um centavo se quer eu exigia. Mas agora as coisas mudaram. Não sou parabaina, nem macho, sou mulher porra!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Era 00h27. Estava tudo calado no meu quarto e no meu coração. Me ligaram para participar de um revival. Olhei para minha carteira de identidade e lembrei dos meu cabelos pretos e da minha foto de 22 anos. Esqueci dos meus 34 e aceitei o convite. Há dias esperava por uma festinha na casa de velhos amigos. Quatro andares escada acima. Deixei minha garrafa de vodka em cima da primeira mesa que achei e fui cumprimentar pessoas. Não eram muitos. Acho que uns cinco no total. Bom número. Sempre sobra um para segurar a camêra filmadora.

Conversei, cantei, ri, chorei, menti e vomitei. Era de se esperar. Não há bons resultados com misturas ofensivas. Mas meu corpo está acostumado com o ato de regorgitar. E foi o que fiz naquele sábado. Deixei sair da boca e do cérebro as lembranças malditas que ficaram guardadas atrás do dia que em cheguei em casa e encontrei meu gato morto. Na minha frente as pessoas continuam iguais. Comem de madrugada, numa fome que lhe roubam os sentidos, explodem os músculos com repetições mecânicas em frente a espelhos gigantes, se maqueiam como podem para plastificar faces incrédulas, contam histórias de transas intermináveis e discutem o tempo de ovulação de uma mulher.

De mim saía felicidade. Estava no mundo mais real que podeira experimentar naquela noite. No meio da noite imperfeita e de pessoas indetermináveis. Eu, que gostaria de contar mais de mim, de minhas travessuras e sacanagens, fiquei com a camêra na mão.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Esses dias estava lendo...como aquelas perdidas que leêm sem escolher títulos ou frases. Andava na Biblioteca como se estivesse no supermecado. Via prateleiras e milhares de livros entulhados. Achei muita gente que me dava saudades, de um tempo que fiquei ausente de tudo, de ignóbeis e fétidas culturas. Fiquei ausente de mim mesma para manter a minha vida no rumo certo. Coisa que faço agora, penso eu. Mas ainda sim, olho o sol de manhã, e acho mais bela a noite escura e cheia de curvas. Ainda escuto passos silenciosos nas ruas de Belo Horizonte, nos meus antigos guetos preferidos. Encontrei um livrinho do Nelson Rodrigues. Como ele é o sacana mais sacana que conheci.

E diante dele, me vi na minha noite, na minha vasta e antiga vidinha, enlouquecidas pelas perguntas, desejos e repressões. Apertada pela calcinha, e pelas blusinhas de lycra que me obrigavam a andar como uma modelo. As mulheres sabem da vida, da labuta, da conquista. Mas Rodrigues me encanta a ponto de comer minhas entranhas com verdades fulgazes. Me irrita a ponto de me chamar de prostituta quando diz que a as honestas são devoradas pelos próprios escrúpulos, sempre no limite e na fronteira.

Que me chame de puta, mas minhas fronteiras já deixei no passado. Rodrigues me dá um tapa na cara e me diz: "A prostituta só enlouquece excepcionalmente". No meu caso, sou completamente lúcida.